Cada dia que amanhece assemelha-se a uma página em branco, na qual gravamos os nossos pensamentos, ações e atitudes. Na essência, cada dia é a preparação de nosso próprio amanhã."
The Black Baloon
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
A busca eterna

“outra cama
outra mulher
mais cortinas
outro banheiro
outra cozinha
outros olhos
outro cabelo
outros
pés e dedos.
todos à procura.
a busca eterna.
você fica na cama
ela se veste para o trabalho
e você se pergunta o que aconteceu
à última
e à outra antes dela…
é tudo tão confortável —
esse fazer amor
esse dormir juntos
a suave delicadeza…
após ela sair você se levanta e usa
o banheiro dela,
é tudo tão intimidante e estranho.
você retorna para a cama e
dorme mais uma hora.
quando você vai embora é com tristeza
mas você a verá novamente
quer funcione, quer não.
você dirige até a praia e fica sentado
em seu carro. é meio-dia.
— outra cama, outras orelhas, outros
brincos, outras bocas, outros chinelos, outros
vestidos
cores, portas, números de telefone.
você foi, certa vez, suficientemente forte para viver sozinho.
para um homem beirando os sessenta você deveria ser mais
sensato.
você dá a partida no carro e engata a primeira,
pensando, vou telefonar para Janie logo que chegar,
não a vejo desde sexta-feira.”
Charles Bukowski
Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui… além…
Mais este e aquele, o outro e a toda gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder… pra me encontrar…
Florbela Espanca
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já.
“Uma mulher infeliz por ter amor de menos, outra, infeliz por ter amor demais, e o amor injustamente crucificado por ambas. Coitado do amor, é sempre acusado de provocar dor, quando deveria ser reverenciado simplesmente por ter acontecido em nossa vida, mesmo que sua passagem tenha sido breve. E se não foi, se permaneceu em nossa vida, aí é o luxo supremo. Qualquer amor merece nossa total indulgência, porque quem costuma estragar tudo, caríssimos, não é ele, somos nós.”
— Martha Medeiros.
— Martha Medeiros.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Hoje falta-me fome para encarar teus jantares mornos e notoriamente sem tempero
. Cansei de comer o teu feijão com arroz até em dia de festa
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
O estar bem não inspira, não vira música nem poesia. Estar triste é sentimento premiado no Oscar de melhor drama, é realidade inventada para vencer o tédio que é ser comum e não ter do que reclamar. "
Verônica H.

"Tenho a palavra poesia tatuada no meu corpo e quando alguém me pergunta o motivo pelo qual eternizei essas seis letras em minha pele, eu faço questão de subir na mesa e responder aos gritos, para o bar inteiro ouvir: “Poesia vai muito além das rimas, dos versos, dos sonetos e da definição limitada descrita nos dicionários. Poesia não existe apenas no papel, nos livros e no timbre incontido dos poetas por profissão. Poesia é um ângulo possível e ultra privilegiado, um modo mais leve de mover-se em meio ao inevitável caos, uma lupa mágica capaz de ampliar os simples atos e transformá-los em diamantes com incontáveis quilates. Poesia é a matéria prima do amor incandescente, do beijo morto de fome, do sexo fervilhante e de tudo que traz total sentido à nossa existência nonsense."
Ricardo Coiro
Ela não era minha.
Ela não era minha. E nunca será. Ela não era de ninguém. E nunca será. Aquilo estava mais do que claro. Freud podia explicar. Eu também. Bastava olhar para ela. Ela exalava o perfume da liberdade. Libertava-se, de mim e do mundo, a cada verbo inserido no papo. Quanto mais dizia, mais virava ela e me revirava. Olhava-me como se quisesse prender a minha atenção. E prendia, pois a cada vez que me fazia não desviar o olhar, sentia-se ainda mais livre e poderosa. Ela não era minha. E nunca será. Ela, apesar de já ter tentado ser de outro (a), hoje, felizmente, é apenas daquelas que buscam inspiração. Ela, apesar de já ter aceitado os mais dolorosos acordos, agora, sem dúvida, anda de acordo apenas com ela. Ela nunca foi minha, e nunca será. Aliás: nem dela ela sabe se é. Já que é de Gêmeos, bipolar, multipolar e poetiza.
Ricardo Coiro
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Tenho medo de cair para dentro de você
" E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida."
Rita Apoena
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
Ei, não tenta entender as voltas que eu dou sozinha. Deixa só um mistério estranho de filme trash. Ninguém quer descobrir o que há por trás da mulher diferente, mas ela ainda é a mulher diferente que deve ser descoberta.
Passo horas falando pra ficar muda de repente, passo toda a segurança do mundo pra me derrubar em medos bobos. É que tudo fica mais legal em constante mudança. E eu nem sei mais ser a mesma sempre.
Verônica H.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
As pessoas têm que se permitir
Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, a chapinha, o sapato que não pode molhar? As pessoas têm que se permitir. Aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio bairro. É o que tenho feito, me perder. E devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta.
— Verônica H.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
"A verdade, o que realmente importa mora dentro de mim, longe do binóculo alheio. O resto é cena, ego, poeira."
"Li em algum lugar que há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz."
- Martha Medeiros.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Talvez o mundo lhe pareça um lugar cheio de estradas erradas.
Zilhões de variáveis e eu venho repetir-me sobre a necessidade de se encontrar em outro. Mas não confunda com Amor, pois este é peça. A verdade é que em meio a essa lapidação do que se é, precisamos de descanso. Acredite, não há férias dentro do seu próprio corpo. Há muitas ruas sem saída, muitos sentimentos sem resposta, muita melancolia se misturando com os sonhos, muita mesmice no horizonte. Precisamos de outro que enxergue alguma vírgula diferente, algum alívio para todo universo que carregamos em nós. Precisamos renovar as forças de nossos ideais e rearranjar a harmonia da nossa paz. A construção desse lar é muito gratificante para se deixar pelos caminhos. Plenamente ser é incrível. Tudo que se precisa para continuar é um outro, é um corpo para descansar a alma.
Talvez o mundo lhe pareça um lugar possível, todos os dias.
Danilo Martinho
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Sua embalagem prometia muito mais do que o produto realmente é
Desculpa minha maneira de dizer, assim, sem qualquer introdução ou motivo, mas você não mente bem. […]
Se dependesse de você, ficaríamos eternamente nos encarando sem chegar em lugar nenhum. Você se tornou o desafio perfeito e, confesso, sua embalagem prometia muito mais do que o produto realmente é. Fui eu quem cuidei da parte da atitude, da conversa, do momento certo. Acho muito cansativo ser responsável por tudo, então eu desisto de tentar te fazer humano. Pode seguir com sua falta de falta de vida, cheio de pose e frases prontas.
Não vou passar dias te observando só porque você é lindo calado, não vou deixar você me cercar a noite toda e depois ir embora só porque dessa vez eu não devolvi o olhar e você ficou sem saber o que fazer. Você não sabe conversar e eu sou um poço infinito de palavras, jogadas na sua cara, mostrando que a falta de conteúdo pode sim te afetar. Era muito fácil com aquelas garotas, não? Um pouco de álcool, o que você faz da vida, vamos fugir de todo mundo. Mas e alguém de corpo e alma? Aí você desiste, porque no dia seguinte não tem mais o que falar. […]
Falta em você algum brilho, alguma individualidade, algo que te faça especial. Em mim esse brilho sobra e eu saio por aí espalhando, como se fosse bonito se perder em todo mundo só porque meu corpo não é suficiente pra me abrigar.
Verônica H.
O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam
“Algumas pessoas se destacam para nós (…) Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é (…) Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor. “
- Ana Jácomo
O Tempo estava certo.
(Dizem que a Primavera chega trocando a roupa da paisagem). E no auge da sua descrença o dia amanheceu de novo. Quando não queria mais fugir de si mesma, foi surpreendida por uma voz de timbre limpo, olhos atenciosos e mãos que diziam coisas. Era alguém que tranqüilizava quando apenas sorria. Uma pessoa que trazia em si o amparo de tudo. Tinha o dom da conveniência e da clareza e pronunciava reciprocidade.O fato resumindo é que o amor não era mais aquele estardalhaço. O amor era suave e tinha um jeito de penetrar sem invadir, de libertar no abraço. O amor não era mais aquela insônia, mas sonho bom na entrega ao desconhecido. O amor não era mais a iminência de um conflito, mas uma confiança na vida. E, pela primeira vez, o amor não carregava resquícios de abandono, pois havia descoberto: o amor estava ali porque ambos estavam prontos.
(O Tempo estava certo.)
-
Marla de Queiroz
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Maktub - Paulo Coelho
"Se você tiver de chorar, chore como as crianças. Você foi criança um dia, e uma das primeiras coisas que aprendeu em sua vida foi chorar; porque faz parte da sua vida. Jamais esqueça que você é livre, e que demonstrar emoções não é uma vergonha.
Grite, soluce alto, faça barulho se tiver vontade - porque assim choram as crianças, e elas sabem a maneira rápida de sossegar seus corações.
Você já reparou como as crianças param de chorar? Alguma cosia as distrai, algo chama a atenção delas para uma nova aventura.
As crianças param de chorar muito rápido.
Assim será também com você - mas apenas se chorar como chora uma criança."
Grite, soluce alto, faça barulho se tiver vontade - porque assim choram as crianças, e elas sabem a maneira rápida de sossegar seus corações.
Você já reparou como as crianças param de chorar? Alguma cosia as distrai, algo chama a atenção delas para uma nova aventura.
As crianças param de chorar muito rápido.
Assim será também com você - mas apenas se chorar como chora uma criança."
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Fui tanta solidão que até achei que podia preenchê-la somente com desejos dos outros.
Não encontrei respostas em festa, não vi propósitos em namoricos de uma noite, não sabia nem de quem gostar. Não tive beijos roubados em corredores de escola, no quintal ou nos fundos do prédio. (…) Não existiu ninguém disposto a viver o romance que um dia eu sonhei. Buscava algo maior do que podia, talvez, mas era o que queria. Querer amar assustou muita gente, compadeceu algumas outras, e conquistou raras. (…)
Fui tanta solidão que até achei que podia preenchê-la somente com desejos dos outros. (…)
A verdade é que nesses anos foi a solidão que me fez grande. Foi ela que me ensinou a distinguir o que chamava de amor, foi ela que me ensinou que era impossível fugir do que se sente, foi ela que me levou cada sofrimento distante de quem jamais me escutou, ou viveu ao meu lado. Foi ela que compartilhou os silêncios mais doídos longe dos amigos. Foi ela que me manteve aqui vivo por um romance. Só vejo isso hoje que finalmente amo em reciprocidade, que finalmente completei o vazio que criei tanto tempo atrás.
Por isso pinto este quadro. Para que os que passem por aqui saibam que a solidão não é eterna, é companhia até a felicidade chegar.
Danilo M. Martinho
sábado, 15 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Efêmero e individualista
Vida se divide? Não digo compartilhar, mas dividir, como um bolo, como férias, como dinheiro até. A diferença é que sabemos nestes caos o quanto temos e assim podemos ser justos. Para contar a vida precisamos de uma medida. Segundos, horas, dias, anos? Isso tudo mede o tempo, mas a vida se mede em tempo? Mesmo se esse fosse o caso, não há tempo determinado para nossa vida. Aliás, de ninguém, talvez das moscas que dizem sobreviver 48 horas, mesmo assim é arriscado afirmar algo desse tipo. Então se a vida não está dividida entre o ontem, o hoje e o amanhã, devemos ter a medida errada.
Se fosse então os sentimentos que determinassem essa divisão. O primeiro amor, a primeira dor, as viagens inesquecíveis, as pessoas que partiram, o encontro com a nossa felicidade… Seria bom que fosse assim, dividiríamos a vida livre do tempo, pelas intensidades. Mas no mundo de hoje, efêmero e individualista, não posso garantir que certas alegrias cheguem a todos. Diante uma sociedade desigual seria menosprezo de minha parte desconsiderar as vidas que passam ao meu lado com suas particularidades tão belas, com dificuldades tão mais profundas. Cada vida conta.
Estaria então a vida a medir o ser humano? Mas a vida é feita de unidade única, singular, exclusiva. Tem diferentes formas e tamanhos. É muito mais do que idosos adultos e crianças. São classificações que seguem sem dividir a vida. Não posso fazer ela esperar as festas de fim de ano para mudar as coisas. Ou que eu só encontre meu grande amor carnaval. Termina-se um ano e pensamos em tudo que queremos para nossa vida no próximo. Mas a vida não é um ano, nem precisa esperar. Eu então resolvi que divido a vida em tudo que ela é, e tudo que ela ainda pode ser.
Danilo M. Martinho
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Milhões de anos nesse mundo e ainda precisamos justificar sentimentos.
Vejo um mundo que enche a cara para tentar preencher o buraco negro do coração. Melhor seria encher primeiro o coração, se possível lotá-lo, para ai sim encher a cara, de sorrisos e gargalhadas, dessas que destacam-se até em meio ao ensurdecedor grito urbano das buzinas.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
seu perfume espiritual
Pois quando a gente abraça, traz para dentro a pessoa: com bagagem, passado, infância, viagens e o principal: seu perfume espiritual.”
Marla de Queiroz
Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma paixão dilacerante.
Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de felicidade com o Outro compensava os trezentos outros de infelicidade. Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo.A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.
- Marla de Queiroz
- Marla de Queiroz
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Sobre o Arrepio
O arrepio é quando,
por serem tão leves,
seus dedos conseguem,
em cada um dos meus poros:
soerguer uma flor.
Rita Apoena
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